Direita Volver

Carlos Zarur . 05 de Novembro, 2004

Uma forte maré conservadora varreu o mais poderoso país da Terra. Apesar da torcida do mundo por sua derrota, o Presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, foi reeleito de maneira incontestável. Recebeu 3,5 milhões de votos a mais que seu adversário, o democrata John Kerry, vantagem que não havia obtido na eleição anterior.

O partido republicano fez barba, cabelo e bigode. Além de reeleger o Presidente, conseguiu confortável maioria no Congresso. Com isto, Bush poderá, com rara liberdade, dar continuidade à sua política externa de acentuado estilo unilateral e radicalizar a idéia de que os Estados Unidos têm o direito de estender seus tentáculos a qualquer lugar do mundo para “defender seus interesses”. A invasão do Iraque foi claramente aprovada pelo eleitorado o que coloca outros países, como o Irã, na mira.

A América Latina continuará fora da geografia política de George Bush. Mesmo assim, as discussões em torno da criação da ALCA serão reabertas, com os Estados Unidos em posição de força. Politicamente, o Brasil deve esperar atitudes duras na discussão de diversos assuntos, como o projeto brasileiro de enriquecimento de urânio. Já na área econômica, a maioria dos empresários brasileiros ficou aliviada com a vitória de Bush, pois Kerry seria uma incógnita.

Mas é internamente que os Estados Unidos deverão sofrer significativas mudanças, a começar pela Suprema Corte que terá, neste segundo mandato, três novos juízes indicados por Bush. A tendência conservadora deverá se enraizar diante do que sinalizaram as votações de assuntos altamente simbólicos, como exemplos: o casamento gay que foi rejeitado em 11 estados; a medida que constrange funcionários públicos do Arizona a denunciar imigrantes ilegais, sob pena de prisão; a aprovação pelo povo de Louisiana do projeto liberando a caça e a pesca e na Flórida, a confirmação da lei que obriga menores a terem autorização dos pais para abortar. O que mais preocupa os liberais é o futuro, pois os jovens votaram em massa nestas eleições.

Já os democratas beijaram a lona. Bush pensa em chamá-los para participarem do seu governo. Isso, no entanto, não significa uma atitude liberalizante, mas uma tentativa do Presidente de amenizar a forte cisão interna aguçada com a sua vitória. Fazendo parte do Governo, os democratas estarão capitulando e aceitando, em nome da sobrevivência, a onda conservadora e, inclusive, participando dela. Caso resistam à tentação do poder, o partido democrata poderá juntar os cacos e se preparar, com novas lideranças, para disputar as próximas eleições.

© Copyright 2005-2017, Carlos Zarur. Direitos autorais reservados.