Fiasco no Ar I

Carlos Zarur . 13 de Janeiro, 2006

Muito fraca, até agora, a série veiculada pela Rede Globo de Televisão sobre Juscelino Kubitschek. Assistimos, na verdade, as estripulias do tal Coronel Licurgo (acho que é este o nome) tendo como coadjuvante a vida de Juscelino.

O que vi nos capítulos que já foram ao ar, foi uma novela lacrimosa, cheia de exageros desnecessários e muito mal dirigida. Desde a infância do grande brasileiro que cenas se arrastam sem eira nem beira; sem mostrar, de fato, a história.

Os capítulos mais recentes não detalharam, como esperáva-mos, uma das mais eletrizantes passagens da vida política brasileira: a Revolução Constitucionalista de 32. Perderam-se em um vai e vem de cenas intercaladas entre batalhas mal feitas e o jovem médico no front com a doida história do tal coronel que, aliás, teve mais destaque do que Juscelino. Deixaram de lado a política desenvolvida por Getúlio, que chegara ao poder 2 anos antes, no bojo da Revolução de 30 e muito mais.

Coisa mais ridícula a tentativa de suicídio, por afogamento, da mulher que dançava no cabaré, levando, pela mão, para assistir ao seu desvario, um menino mudo que já havia perdido a voz por ter presenciado o suicídio da própria mãe, no mesmo rio caudaloso. Quem levaria um menino pela mão para depois se suicidar? O que isso tem a ver com a história de JK?

Mais ridículo ainda, o tarado Coronel Licurgo (ou coisa assim) atacando, sexualmente, meninas pobres que leva para dentro de sua própria casa, sob as vistas da mulher carola, enquanto o menino mudo espiona pelos cantos. No meio deste festival de bobagens, vez ou outra, uma cena de Juscelino e dona Sara.

Conheci Juscelino quando menino. Meu Tio, Coronel Nélio Cerqueira Gonsalves, foi um dos seus mais próximos colaboradores comandando a polícia de Minas, quando Juscelino era Governador. Tio Nélio foi um dos braços que garantiram a posse de JK como Presidente, apesar da resistência de Café Filho e outros. Meus pais também trabalharam com ele e, quando viemos para Brasília, em 1960, tive a oportunidade de conhecê-lo razoavelmente bem.

Durante seus cinco anos de Governo, o povo brasileiro conheceu o progresso, a esperança e a alegria, guiado por um homem cheio de otimismo e com inequívoca sinceridade de propósitos. Por isso, acho que sua história merecia coisa melhor.

Espero que a série da Tv Globo, sobre JK, entre nos trilhos, pois ainda há tempo para mostrar, com grandeza, a vida deste que foi, sem dúvida, o melhor Presidente que o Brasil já teve.

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