Bem-te-vi

Carlos Zarur . 12 de Maio, 2006


No jardim de memórias indeléveis

vejo seu rosto de mãe amada.

Escuto o som longínquo do piano

e, em meio ao vento, seu divino riso cristalino.


Sinto sua mão protetora em meus cabelos

e evoco a presença saudosa.

Ainda ouço seu afinado canto meigo

nas noites chuvosas de eternos medos.


Trilho os caminhos de violetas e gerânios

impregnados com os perfumes de sua vida.

Subo os montes de seus ideais

junto às fontes gélidas dos bosques dourados.


Sou aquela criança magra que criou

como planta querida regada de amor.

O caçula da fértil semeadura

nos poeirentos campos perdidos.


A brisa, sua especial amiga, sopra

os segredos que contou para as plantas.

Limpa lágrimas translúcidas

e me traz notícias distantes de você.


Entre as folhas de todos os verdes

habitam seus sonhos e desejos.

Germinam com a umidade do orvalho,

voando nas asas sibilantes dos beija-flores.


Caminho pelo seu jardim belo e complexo

e no reflexo da claridade difusa da tarde outonal

vejo seu rosto em meio aos galhos do pinheiro

onde, bem alto, pousa um bem-te-vi.

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