O Poodle

Carlos Zarur . 21 de Julho, 2006

É, no mínimo, constrangedor, principalmente para os ingleses, o comportamento subserviente do primeiro-ministro da Inglaterra, Tony Blair, frente ao presidente norte-americano, George Bush. Blair faz o papel de um mero assessor que busca, de seu chefe, autorização até para suas viagens.

Aquele microfone acidentalmente aberto, na reunião do G-8 em São Petersburgo, mostrou um primeiro-ministro explicitamente servil que chegou até a pedir autorização de Bush para viajar ao oriente médio. Solicitação que, aliás, foi negada.

Desde a invasão do Iraque que Tony Blair se comporta como uma espécie de capanga de Bush. Enviou tropas para o Iraque com um entusiasmo exagerado e chegou a mentir para o seu povo, no caso das armas químicas que seriam estocadas por Saddam Hussein. A invasão do Iraque se baseou em falsas premissas afirmadas pelos Estados Unidos e pela Inglaterra.

A cena que vimos e ouvimos, através da televisão, no momento em que Bush falava suas grosserias ao ouvido de Blair, mostra o presidente americano refestelado na cadeira, com a boca cheia de salgadinhos e o Primeiro-Ministro inglês em pé, respeitosamente relatando suas impressões ao “chefe”. Até a maneira como Bush chamou Blair foi desrespeitosa -“ô Blair”!

Logo depois, em discurso no parlamento, Tony Blair repetiu tudo o que vem falando Bush a respeito do bombardeio do Líbano. Disse que a escalada de violência é culpa dos terroristas apoiados pela Síria e pelo Iran. Em nenhum momento se referiu, como a França e outros países o fizeram, à reação desproporcional de Israel, que já matou centenas de civis – entre eles vários brasileiros - em virtude das provocações do Hezbollah.

Desde a segunda guerra mundial a Inglaterra tornou-se altamente dependente dos Estados Unidos. Até agora, no entanto, apesar dessa dependência, havia um tratamento respeitoso entre os chefes de governo dos dois países. Nunca imaginaríamos, por exemplo, Margareth Thacher ser chamada – “ô Margareth!”, pelo Presidente Reagan.

Os tablóides de Londres não pouparam críticas ao combalido primeiro-ministro, depois da grotesca cena que representou na Rússia. Ríspidos, exercitando o mordaz e demolidor humor inglês, chamaram Blair de “poodle de Bush”.

Esqueceram, no entanto, da inevitável comparação entre o forte e genial primeiro-ministro Winston Churchill, apelidado de “buldogue”, que salvou seu país da derrota na segunda grande guerra e o adulador Tony Blair, “o poodle”.

Bem! Esta comparação é uma excelente pauta para outro artigo.

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