Poderosas

Carlos Zarur . 27 de Novembro, 2006

*artigo publicado no jornal Correio Braziliense e no site www.abcpolítico.com.br

Desenha-se, nos Estados Unidos, para as eleições presidenciais de 2008, um interessante e inusitado quadro onde mulheres fortes e decididas, quebrando paradigmas e preconceitos, dividem a liderança com os homens e passam a participar, diretamente, do ápice da arquitetura política da nação mais poderosa do mundo.

Nos EUA, o voto feminino só foi permitido em 1920, historicamente há muito pouco tempo. Agora, pela primeira vez, uma mulher, do partido democrata, eleita pelo liberal estado da Califórnia, Nancy Pelosi, vai assumir a presidência da câmara dos deputados. Enquanto isto, Hillary Clinton, senadora democrata pelo estado de Nova York, pavimenta a estrada para chegar a Casa Branca e ser a primeira mulher a ocupar o salão oval.

Pelosi defende o aborto, é opositora da guerra e inimiga número um da direita republicana, além de se tornar a segunda na linha de sucessão para a presidência do país, depois do vice-presidente Dick Cheney. A representante pela Califórnia, de 66 anos, e que até agora era a chefe da minoria democrata na Câmara de Representantes, passará a ser o principal enlace entre o Congresso e o governo Bush depois do triunfo dos democratas nas eleições legislativas.

Já, Hillary, casada com o ex-presidente Clinton, faz política refinada. Soube em momentos difíceis do governo de seu marido, como no episódio Mônica Lewinsk, administrar as coisas com segurança, preservando a família sem, no entanto, permitir a exploração baixa dos fatos. Apesar de não querer conversa sobre sua possível candidatura - diz que ainda é muito cedo – os sinais extrapolam a vontade da senadora principalmente depois da contundente vitória democrata no congresso. A campanha para as próximas eleições já está nas ruas e o nome de Hillary é, sem dúvida, o mais forte dentro do seu partido, quase uma barbada.

Segundo as últimas pesquisas de opinião, divulgadas pela “Opinion Research Corp.”, entre eleitores democratas e independentes, Hillary lidera com a folgada margem de 33% na corrida interna do partido pela candidatura à presidência. O segundo mais votado foi a grande revelação política democrata, o jovem senador negro Barack Obama, de Illinois, com 15 por cento.

Do lado republicano os ventos também são de renovação. O candidato mais popular, dentro do partido de Bush, é o “prefeito da américa”, Rudolph Giuliane, de Nova York, que tem uma visão bem liberal, apoiando, inclusive, o casamento de homosexuais e o aborto. Caso os candidatos sejam esses - Hillary x Giuliane - sem dúvida haverá profundas mudanças depois do ultra conservador governo de George Bush.

Há, porém, como sempre, nos bastidores, a organização de uma forte reação conservadora, contra a representante de uma minoria, Hillary e também contra Giuliane em virtude das posições liberais de ambos. Nesta hora, os tradicionalistas, especialmente os evangélicos, comparecem em massa às urnas para defender suas crenças.

Hillary Clinton, no entanto, tem grandes possibilidades de ser a escolhida dos democratas e vai ser um osso duro de roer na campanha presidencial, pois é popular e fala forte ao coração de uma boa parte do eleitorado. Além do mais, terá na retaguarda uma escudeira astuta e fiel, a nova lider do Congresso, Nancy Pelosi.

Depois que a Nova Zelândia, em 1893, se tornou o primeiro país a dar às mulheres o direito de voto, nos mesmos termos dos homens, o mundo viu mulheres liderarem países com força e determinação como: Indira Gandhi, na Índia e a dama de ferro, Margharete Tacher, na Inglaterra. São exemplos atuais, em pleno exercício do poder: a Primeira-Ministra alemã, Angela Merkel e a Presidente do Chile, Michelle Bachelet, entre outras.

As expectativas, caso ocorra a eleição de Hillary Clinton para a presidência, são muito grandes. Ela vai trabalhar dobrado para ultrapassar os fortes preconceitos e equilibrar a mulher, que muitos ainda entendem como dependente e fraca, com a força do cargo mais importante da Terra. Além do mais, terá um problemão em casa, pois o ex-presidente Bill Clinton também terá que quebrar tabus, já que será o primeiro marido de presidente a ocupar a Casa Branca.

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