Tempo

Carlos Zarur . 03 de Janeiro, 2007

Tempo, tempo. Tempero da vida.

Escoando pelos meus dedos carunchados.

Inexorável andarilho de cordilheiras.

Marinheiro, navegante de mares eternos.


Tempo. Tempero da vida.

Esvoaçando nos meus cabelos brancos.

Incontido como asa de borboleta.

Rápido e mortiço no planalto infinito.


Tempero da vida.

Impossível não virar a ampulheta.

Não ver a areia fina fugindo para baixo.

Esvaindo-se em mansos suspiros.


Vida.

Mulher de infinitas surpresas.

Tecla branca tocada insistentemente.

Noite de fruta mordiscada pelos morcegos.


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