Já Vai Tarde

Carlos Zarur . 27 de Junho, 2007

Finalmente a Inglaterra se livra do grande fiasco Tony Blair, o ajudante de ordens do Presidente Bush no inglório campo de batalha do Iraque.

Blair foi eleito, ainda jovem, para o cargo de Primeiro Ministro da Grã Bretanha. Ocupou a cadeira que já havia sido usada por homens que marcaram o mundo, como Winston Churchill.

Chegou ao poder como uma grata revelação do que chamam da “esquerda” inglesa, mas, traindo o que dele se esperava, juntou-se ao infradireitista presidente dos Estados Unidos, George Bush, na aventura que redundou na invasão do Iraque que já matou e continua matando milhares de pessoas entre civis e militares.

O pior de tudo é que Blair foi instrumento importante na moldagem das mentiras que deram base à invasão, como a afirmação de que o Iraque teria armas químicas e nucleares. Mesmo depois que essas mentiras vieram a público ele continuou a defender a guerra de maneira subserviente e cheia de subterfúgios.

O tragicômico disso tudo é que Blair agora quer intermediar a paz entre palestinos e israelenses, sem ter a menor isenção já que foi um dos artífices da sangrenta máquina que ainda ceifa tantas vidas na região.

É grande a responsabilidade histórica da Inglaterra nas raízes da violência do Oriente Médio, depois da esdrúxula divisão da região feita por Churchil, ainda jovem, e seus assessores que ele mesmo apelidou de os “quarenta ladrões”, na conferência do Cairo em 1921. De maneira irresponsável riscaram um novo mapa para o território sem levar em conta culturas e tradições dos povos nômades que ali viviam. (ler, no site carlos@zarur.com.br, o artigo do autor “A Mesma História” que aborda a divisão do Oriente Médio feita pelos Ingleses).

É óbvio que a desculpa, entre tantas, de derrubar o ditador sangrento Sadan Hussein, não deve acobertar a invasão de um país por outros, de maneira violenta e preconceituosa. Tanto, que o povo inglês custou um pouco, mas acabou reconhecendo as repetidas mentiras de seu líder e se voltou contra a invasão que transformou o Iraque em um campo de morte e miséria.

Tony Blair já vai tarde, com sua arrogância e mãos vermelhas, coloridas pelo sangue de tantos, inclusive dos jovens soldados, da sua ilha, que morreram e morrem em mais uma guerra distante.

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