Repetindo o Erro

Carlos Zarur . 06 de Agosto, 2007

Ao financiar armas para aliados no Oriente Médio frente à “ameaça” do Iran, os Estados Unidos erram mais uma vez. Não aprenderam a lição do passado recente quando armaram o Iraque até os dentes, fortalecendo o seu sangrento ditador, Sadam Hussein, como estratégia para barrar o Iran.

Agora voltam a irrigar recursos bélicos para a região, fortalecendo aliados contra o Irã e também a Síria. Destinam 70 bilhões de dólares em ajuda militar para Israel e países árabes.

Israel será o maior beneficiário. Como principal amigo dos Estados Unidos na região receberá 30 bilhões de dólares em 10 anos. O Egito é outro importante beneficiário, recebendo 13 bilhões de dólares em armas nos próximos 10 anos. Receberão ainda recursos bélicos: Arábia Saudita, Bahrein, Kuwait, Omã, Qatar e Emirados Árabes Unidos.

Os Estados Unidos, através deste procedimento, incitam a mais violência no Oriente Médio repetindo o cínico discurso de seu presidente de espalhar a democracia pelo mundo. Mais uma vez canalizam robustos recursos bélicos para países que alimentam brutais ditaduras.

Na verdade não é o “temível” Iran a razão de tanto dinheiro distribuído em armas, mas a busca de lucro pelos fabricantes que farão vendas invejáveis. A indústria armamentista norte-americana mantém uma sólida base econômica no país e precisa vender. Vender muito. Não importa a ética, não importam os que vão morrer. Há que se manter os ganhos, mesmo que seja às custas de muito sangue.

Este, evidentemente, não é o melhor caminho político para aquela região que já é um verdadeiro barril de pólvora. Ao vender armas de maneira indiscriminada para seus amigos com a retórica de conter o Irã, os Estados Unidos estão jogando mais gasolina no incêndio. O que não avaliam, em longo prazo, é que mesmo seus interesses poderão ser prejudicados em virtude da eclosão de uma possível guerra geral naquela área. O Golfo Pérsico é estratégico para o mundo, tanto no que condiz com a visão econômica, como com a visão estritamente política.

A solução da crise EUA x Iran, está no diálogo aberto e franco, no âmbito próprio das Nações Unidas, que leve em conta os interesse geopolíticos gerais da região. É, sem dúvida, uma equação de complicada resolução depois da irresponsável divisão do Oriente Médio que os ingleses fizeram, comandados por um jovem Churchill, na Conferência do Cairo em 1921. (Ver o artigo, A Mesma História, no site do autor carlos@zarur.com.br ).

Aprofunda-se agora a irresponsabilidade através das impulsivas decisões de George Bush, depois da desastrada invasão do Iraque que já matou milhares de civis e militares, inclusive jovens soldados norte-americanos. Tenta o governo Bush, financiando a compra de armas pelos países aliados do Oriente Médio, sob a restrita visão de seus líderes, o aprofundamento da lei da força que já não deu certo no Iraque.

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