Chaves X Silicone

Carlos Zarur . 02 de Outubro, 2007

O Presidente da Venezuela, Coronel Chaves, insiste em se intrometer nos assuntos internos do Brasil. Sem cerimônia, com sua costumeira truculência, critica, de maneira incisiva, o Congresso Nacional por não ter aprovado até hoje a entrada da Venezuela para o Mercosul.

O desprezo do caudilho pela democracia já é um forte motivo para que o Congresso brasileiro vote contra a entrada da Venezuela no bloco sul americano. O PSDB já fechou questão, vai votar contra. O que se espera é que outros partidos políticos brasileiros, independentemente de suas ideologias, sigam a mesma toada.

Não se discute aqui a participação da Venezuela como país, mas a Venezuela de Chaves, onde a democracia é, a olhos vistos, apenas um arremedo que, diante de parlamentares servis, desmorona a cada dia.

As agressões do presidente Venezuelano ao nosso Congresso, por pior que ele seja, são ofensas ao Brasil e devem ser censuradas de maneira eloqüente pelo Governo Lula. Imaginem a reação de Chaves se Lula criticasse, sem papas na língua, em território Venezuelano, os seus manipulados deputados e senadores. Com certeza haveria uma declaração de guerra.

Chaves, que no início de seus dias no poder parecia só um bom marqueteiro, aos poucos começou a mostrar as garras. Sufocou a oposição, fechou a televisão que lhe era hostil, perseguiu adversários em todas as direções e acabou se transformando em um ditador fanfarrão como tantos outros do passado recente deste nosso continente.

Agora, ele chega ao cúmulo de criticar o implante de silicone nos seios das adolescentes venezuelanas, como se o país não tivesse problemas reais, como fome e miséria. O conjunto da economia venezuelana apresenta piora. A classe média encolheu 30% desde 1998, a inflação de 2006 ficou ao redor dos 17% e a produtividade dos trabalhadores venezuelanos caiu 36% entre 1978 e 2004. Além disso, os gastos públicos cresceram 124% em 2006, aumentando a dívida pública.

Apesar da propaganda maciça a respeito de novas políticas sociais, entre 1998 e 2005 a parcela da população que vive abaixo da linha de pobreza saltou de 43% para 54%. O desemprego subiu de 11% para 16% e os empregos informais aumentaram 45%. Dados que demonstram que os mais pobres, apesar do discurso do governo venezuelano, são os mais prejudicados.

Enquanto as belas Venezuelanas – várias já foram miss Universo – brigam com seu governante pelo direito a seios novos, com o nosso total e entusiasmado apoio, o Coronel Chaves prega a criação do “novo homem” para construir uma sociedade socialista no país. O velho e perigoso discurso totalitário que torna a Venezuela um vizinho incomodo.

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