ÁGUIA NEGRA

Carlos Zarur . 15 de Junho, 2008


*artigo publicado no jornal Correio Braziliense.

Barack Hussein Obama, Jr. é o primeiro candidato negro, por um partido grande, à presidência dos Estados Unidos.

Um fenômeno que surge de repente no cenário mundial e que poderá se transformar no homem mais poderoso do mundo. O incrível é que há poucos anos ninguém falava de Obama, a não ser no estado de Illinois, sua base eleitoral.

O jovem candidato, nascido do Havaí em 1961, dá um nó no racismo americano. Filho de pai africano, negro e mulçumano e de mãe americana, branca – além do padrasto asiático. Devido a esta herança pessoal, é visto por muitos como um unificador, alguém que consegue transpor a barreira racial. O próprio Obama, já brincou com isso no programa da popular apresentadora estadunidense Oprah Winfrey, quando disse que: - “jantares de minha família são sempre uma mini-ONU, com parentes de todas as etnias".

Sua escolha, como candidato, pelo partido democrata saiu de uma acirrada disputa com a ex-primeira dama Hillary Clinton. Foram cerca de seis meses de pugilismo decidido, no final, pelos chamados “super delegados” do partido que têm peso maior na escolha.

Em agosto, quanto for aclamado na convenção como o primeiro candidato negro, com chances reais, à Presidência, Barack Obama já estará fazendo história com grandes possibilidades de se tornar Presidente dos Estados Unidos da América. O mais interessante é que Hillary, sua adversária nas prévias, também poderá fazer história se vier a ser escolhida como a primeira candidata à vice-presidência.

Caso eleito, porém, essa surpresa política poderá trazer muitas novidades para a Casa Branca. Não só pela sua maneira jovem e simples de ser, mas também pelas políticas novas que deverá adotar tanto no que concerne à área interna como à externa. Suas idéias, postas em prática, poderão corrigir bastante o governo Bush, eleito e reeleito presidente, em pleitos, principalmente o primeiro, discutíveis e com graves denúncias de desvios.Neste caso específico, Obama terá que roer ossos bem duros, como por exemplo: acabar com a desastrosa guerra do Iraque e revitalizar a debilitada economia dos Estados Unidos.

Ainda falta muita estrada para Obama rodar até assumir o gabinete presidencial da Casa Branca. Vai disputar uma renhida eleição com o velho herói de guerra, Senador John McCain, do Arizona. Um republicano liberal de 71 anos, nascido na zona do Canal do Panamá. Analistas dizem que os eleitores preferem as posições de Obama sobre economia, saúde e outros assuntos domésticos, no entanto confiam mais em McCain quando se discute o combate ao terrorismo.

Segundo as pesquisas de momento, há praticamente um empate técnico entre o candidato democrata e o republicano, com pequena vantagem para Obama, cerca de três pontos percentuais. As últimas análises feitas pelo Instituto Gallup, publicadas pelo jornal Usa Today, indicam que os americanos estão pessimistas com relação ao seu poder de compra, com 55% das pessoas ouvidas estimando que a sua situação financeira seja pior do que no ano passado, enquanto 26% consideram que melhorou. Segundo o instituto nunca tantos americanos foram tão pessimistas desde 1976, notando que isto leva geralmente os eleitores a votar contra o partido no poder.

O candidato democrata já começa sua campanha no ataque. Inaugurou suas propostas de governo prometendo rever as isenções de impostos às petroleiras e bateu firme: “... quando milhões de americanos não podem pagar seus planos de saúde ou as matrículas nas escolas, nosso adversário quer poupar US$ 1,2 bilhão em impostos para a ExxonMobil”.

Barack Obama, mais do que uma novidade, deverá ser uma solução para a república americana, combalida por muitos anos de um governo incompetente, comandado pelas empresas petrolíferas e culpado por uma guerra sem fim, que já ceifou milhares de vidas de americanos e iraquianos.

© Copyright 2005-2017, Carlos Zarur. Direitos autorais reservados.