Ditadura Escancarada

Carlos Zarur . 17 de Março, 2009

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O Presidente da Venezuela, Coronel Hugo Chávez, vai aos poucos escancarando a sua ditadura particular. Fechando o mórbido cadeado do autoritarismo sobre as forças democráticas de seu país.

Por meio de repetidos plebiscitos vem se perpetuando no poder, além de pressionar a oposição com ameaças e ações autoritárias.

A última trágica pantomima do Coronel Chávez foi a ordem que deu para que o Exército ocupe os portos e aeroportos que estão sob a administração de governos estaduais da oposição. Nos últimos meses, o presidente já havia acabado com o controle de líderes regionais sobre vários serviços públicos, entre os quais: hospitais e forças policiais.

Enquanto aperta o laço autoritário, Chávez não consegue fazer o seu país progredir. A Venezuela, entre muitas outras crises como a do desabastecimento de produtos alimentares, vive inusitado colapso no setor elétrico, apesar de possuir importantes reservas de energia.

No ano passado, o país sofreu três apagões em escala nacional. O péssimo fornecimento de energia pode ser o calcanhar de Aquiles de Chávez que, somado à crise econômica mundial, derrubou os preços do petróleo – principal receita da Venezuela – a menos da metade dos preços realizados anteriormente. Este novo fato poderá inviabilizar investimentos sociais e outras políticas que dão base à popularidade do governante venezuelano.

Segundo fontes econômicas, a situação da Venezuela é mais grave diante da gastança promovida pelo governo Chávez desde a posse em 1999. Em seu governo a dívida pública dobrou, chegando hoje perto do patamar de 75 bilhões de dólares. Ou seja, mesmo numa fase em que ocorreu a maior enxurrada de petrodólares da história do país, as contas do governo só se deterioraram.

Por isto, diante da crise instaurada, Chávez esteja apertando ainda mais os torniquetes que sufocam a liberdade a fim de impedir o crescimento da oposição e manter o projeto de governar seu país enquanto viver. Ele ganhou as massas em tempos de bonança, mas a queda no crescimento e na renda da população mais pobre aparece hoje como seu principal inimigo político.

Em resumo, o Presidente da Venezuela, que no início de seus dias no poder parecia só um bom marqueteiro, aos poucos começou a mostrar as garras. Sufocou a oposição, fechou a televisão que lhe era hostil, perseguiu adversários em todas as direções e acabou se transformando em um ditador fanfarrão como tantos outros do passado triste e recente deste nosso sofrido continente.

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