Escapada

Carlos Zarur . 18 de Junho, 2010

Abram as janelas

Deixem-nos voar

Entre as nuvens brancas

Junto aos pássaros e o mar


Libertem nossas almas negras

Em raso sobrevôo sob as estrelas

As águas azuis e o infinito

As serras altas de rios frios


Cantem com os pássaros coloridos

Na noite? Com os coaxares dos sapos

Dos gordos cururus misteriosos; tardios

Entoem as canções das óperas intensas


Os cheiros durante este vôo oblíquo

Vêm através dos orvalhos noturnos

Dos lençóis entre paredes caiadas

Das vidas encolhidas e sofridas


Pelas frestas das portas rústicas

Cantam os ventos oceânicos

Num enfumaçado de velas translúcidas

Sujas pela pesca das almas diuturnas


Mulheres entoam seus cantos rígidos

Nas madrugadas de estrelas mortiças

Junto às areias de rastros finos

Ao calor dos fogareiros acolhedores


Flutuamos as ondas cintilantes

Tecendo as redes da sorte

Que amanhã serão testemunhas do amor

Do primeiro nascer e da última morte


Planamos pelo ar oxigenado e azul!

© Copyright 2005-2017, Carlos Zarur. Direitos autorais reservados.