O CANDIDATO QUE FALA MANDARIM

Carlos Zarur . 30 de Junho, 2011

*artigo publicado no jornal Correio Braziliense.

As próximas eleições presidenciais nos Estados Unidos começam a ganhar maiores espaços na mídia mundial. Jon Meade Huntsman Jr., o jovem milionário ex-governador de Utah e ex-embaixador na China, desponta como a novidade republicana para se opor ao presidente Barack Obama.

Considerado um moderado pelos republicanos, Huntsman até se parece politicamente com Obama: jovem, inovador e, sobretudo, um diferencial. Foi, inclusive, nomeado por Obama para a destacada embaixada na China. Talvez para ficar bem longe, o que, no final, não adiantou. Está de volta e já anunciou sua pretensão em concorrer ao direito de ser candidato à presidência de seu país.

Jon Huntsman nasceu na Califórnia em Palo Alto, no ano de 1960. Durante dois anos, depois de terminar seus estudos universitários, serviu como missionário mórmon em Taiwan, onde aprendeu a falar chinês mandarim fluentemente.

Este republicano, que defende a união, de fato, entre homossexuais, além de outras bandeiras de vanguarda, joga uma ficha arriscada no tabuleiro eleitoral. Surge como a esquerda republicana, que de esquerda, aliás, não tem nada. Frontalmente contrário ao movimento radical Tea Party de Sarah Palin e Michele Bachamann, ou das posições extravagantes do milionário Donald Trump, também possíveis candidatos.

Há, porém, sérios obstáculos na corrida à candidatura de Huntsman. O principal deles é o atual líder nessa disputa, o também mórmon Mitt Romney. Romney é considerado o nome mais forte do partido republicano para enfrentar o presidente Barack Obama, mas sua candidatura também é vista como vulnerável. Ele se lançou candidato com um discurso econômico duro, dizendo que Obama "faliu a América".

A campanha de Romney começou em New Hampshire, um dos estados que votam mais cedo nas primárias partidárias, e onde uma vitória em fevereiro pode fortalecer sua chance de conquistar a indicação dos republicanos.

A economia é, provavelmente, o principal problema do governo Obama, apesar de as pesquisas apontarem que ele ainda tem vantagem sobre os candidatos republicanos. Romney, de 64 anos, espera poder concentrar a campanha em sua experiência nos negócios, no momento em que os EUA lutam com um desemprego alto e um crescimento fraco.

Voltando ao jovem ex-embaixador na China, Jon Huntsman, ele pode ser o tempero que faltava. Uma espécie de Obama republicano que se espelha, porém, em Ronald Reagan para sua campanha, tanto que lançou sua candidatura aos pés da Estátua da Liberdade, mesmo lugar onde Reagan iniciou sua caminhada vitoriosa para a presidência. Tenta seguir a trilha do ex-presidente, falecido em 2004, que continua a ser o líder republicano mais venerado até hoje, e, com isto, captar o otimismo que caracterizou a vitoriosa campanha do velho cawboy.

É muito difícil qualquer previsão sobre as próximas eleições norte-americanas. Sabemos, porém, que Obama será o candidato democrata com forte favoritismo, como praticamente todos os presidentes que tentam a reeleição. Fenômeno que ocorre em vários países. O Brasil mesmo é um exemplo. Fernando Henrique Cardoso foi reeleito, no primeiro turno, sem muitas dificuldades, e o seu sucessor, Luiz Inácio Lula da Silva, também foi reeleito.

O pleito nos EUA, só começa a esquentar, dentro do seu complexo labirinto, no momento em que os partidos escolhem aqueles que vão competir. É uma pré-eleição que se desenrola no quebra-cabeça das convenções partidárias, tanto entre os democratas quanto entre os republicanos.

Huntsman surge na arena com um polpudo cacife: seu conhecimento sobre a China, país mais importante para a política externa dos americanos. Prevê-se que a China, em poucos anos, deverá ser a maior economia do mundo.

Muita água ainda vai correr para que possamos ter uma idéia mais precisa sobre os favoritos para estas eleições. Podemos apostar, no entanto, que apesar das dificuldades que Obama tem enfrentado para resolver a crise econômica, ele continua sendo quase uma barbada, a não ser que surja outro Obama: mórmon, republicano e que fale chinês mandarim.


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